A fisioterapia é um recurso terapêutico recente na área da ginecologia e saúde da mulher em termos de especialização técnica e reconhecimento amplo, embora sua atuação no assoalho pélvico já venha evoluindo há algumas décadas. Decorrente disso, ainda são raros estudos que abordam tratamentos para vaginismo, patologias sexuais femininas são pautas delicadas e cada vez mais comum entra as mulheres. Entretanto, o reconhecimento oficial e a busca por essa especialidade aumentaram consideravelmente nos últimos anos, especialmente com a popularização da fisioterapia pélvica. Nesse blog iremos explicar o que é vaginismo e como a fisioterapia voltada a saúde da mulher pode ajudar.
Vaginismo se trata de um transtorno que afeta uma parcela das mulheres e que por muitas vezes enfrentam dificuldade de levar uma vida sexual saudável, devido à ausência de informação, tabu ou crença. É uma condição sexual caracterizada pela contração involuntária e espasmódica dos músculos do assoalho pélvico durante o ato sexual, tornando a penetração difícil, dolorosa ou impossível. Entre as causas mais comuns, destacam-se aspectos emocionais como ansiedade e experiências traumáticas relacionadas à sexualidade, que podem contribuir para a resposta involuntária de contração muscular. Além disso, traumas sexuais ou episódios de abuso podem afetar significativamente a resposta psicológica da mulher. Outro fator importante são as crenças culturais ou religiosas que promovem visões negativas em relação ao sexo, dificultando a resposta relaxada do corpo durante a atividade sexual.
A fisioterapia pélvica é uma área de grande atuação com recursos que proporcionam benefícios à saúde feminina, possibilitando a diminuição do quadro de dor, tendo como sua principal função, o fortalecimento dos músculos da região pélvica e a estimulação da consciência corporal. O tratamento se concentra principalmente na reeducação muscular, essa abordagem não apenas ajuda a relaxar os músculos envolvidos, mas também promove uma maior consciência corporal e melhora a comunicação entre o corpo e a mente. Além disso, a fisioterapia pode incluir técnicas de manejo da dor e exercícios específicos que visam reduzir a ansiedade e aumentar a confiança da paciente em sua própria sexualidade.
As técnicas utilizadas variam conforme o quadro clínico e podem incluir: biofeedback, eletroestimulação funcional, exercícios de relaxamento e fortalecimento, dessensibilização progressiva com dilatadores vaginais, terapia manual, exercícios perineais, educação postural, além de orientações comportamentais e sexuais. Essas intervenções favorecem o ganho de consciência corporal, a reabilitação da função sexual e a retomada da atividade sexual com menos dor e maior qualidade de vida.
Por fim, é bom enfatizar a dificuldade em se tratar o vaginismo, pois o tratamento é complexo, tanto pela falta de diagnóstico preciso quanto pelo fato do assunto ainda ser tabu na sociedade, sendo esse um aspecto que dificulta o aprimoramento das técnicas. O número de casos é crescente, pois ocorrem de forma silenciosa, o que dificulta o processo de tratamento, visto que em muitos casos as pacientes não procuram ajuda ou por desconhecimento ou por preconceito social.
Ressalto que o vaginismo não é frescura, não é culpa sua e não precisa ser enfrentado sozinha. Com o tratamento adequado, especialmente com a fisioterapia pélvica, é possível a qualidade de vida e bem-estar.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional.
Referências:
- OLIVEIRA, R. et al. A fisioterapia pélvica no tratamento do vaginismo. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2023.
- SANTOS, A. et al. Fisioterapia pélvica no tratamento do vaginismo: uma revisão sistemática. Revista FT, 2022.
Blog desenvolvido pela discente Mirela Gomes Araújo


